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meg@xispas |
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Escolas de Adultos da Má-Língua, Lda
Quem
é radioamador por gosto, é certo que não cansa.
Mas quem se desilude no que acredita, mesmo que seja uma brincadeira,
dificilmente tem capacidade em perdoar garotices.
Ser
radioamador é uma ilusão, um engano, um tempo perdido.
É um "hobby"? Mas que espécie de "hobby"? Será o
que em português se chama passatempo, na
tradução rápida do termo anglo-saxónico?
Mas um passatempo [isto é, a
forma de passar o
tempo]
é uma actividade de tempo livre
que nos pode sair muito cara, analisada no aspecto
humanístico.
Senão vejamos: durante um bom pedaço da nossa vida,
às vezes décadas, damo-lo a uma comunidade
desconhecida, na ilusão e na virtualidade de quem
está a contribuir para qualquer coisa de importância, na
vida das pessoas. Isto se acreditamos estar a fomentar uma amizade,
que é multiplicada pelo "cheque em branco" de pessoas que
não conhecemos, nem tão pouco pedimos para conhecer.
Com elas, ao longo de muito anos vamos falando, trocando
impressões, partilhando informações,
confidências e, por vezes até, dando oportunidades a
algumas dessas criaturas, e até instituições, de
terem acesso a outros caminhos que, por
moto
próprio, ser-lhes-ia muito difícil alcançar.Na
hora da verdade, da solidariedade o mau feitio do cidadão
"hobbista", revela-se pela negativa; e na singularidade da sua
existência, comodamente, aquele género de pessoa, qual
sensaborão oportunista, sem nenhum esforço ou trabalho,
o vulgo
videirinho, agarra-se ao sucesso (como se o sucesso valesse de
alguma coisa, sem conhecimento, ou seja sinónimo de
qualquer estatuto
social) e desconhece quem os ajudou
desinteressadamente. De quem estamos a falar? Não é
difícil de entender; quem se sentir incomodado, tem a
resposta.
Voilá!
Nesta
e noutras perspectivas de análise, o radioamadorismo tem os
dias contados. Prevê-se que, no Continente
português, não deva durar uma década. Vai
acabar vencido pela ineficácia das relações
entre a "classe". Verbalismo a mais e democracia a menos, onde
arrogância das palavras ditas contrapõe as regras
elementares da ética das comunicações. Sem
ética e muito menos, sem
deontologia,
é o fim do
Radioamadorismo.
Resta
contemporizar, até ao "apagar da luz", com as
comunicações dos
telemoveiros,
porventura os futuros pioneiros do
inevitável teleamadorismo dos anos
02.
Xispas
Janeiro de 2002
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