conteudos_malingua

meg@xispas

Nº1
2002
À MANEIRA DE EDITORIAL

Escolas de Adultos da Má-Língua, Lda

Quem é radioamador por gosto, é certo que não cansa. Mas quem se desilude no que acredita, mesmo que seja uma brincadeira, dificilmente tem capacidade em perdoar garotices.
Ser radioamador é uma ilusão, um engano, um tempo perdido. É um "hobby"? Mas que espécie de "hobby"? Será o que em português se chama passatempo, na tradução rápida do termo anglo-saxónico? Mas um passatempo [isto é, a forma de passar o tempo] é uma actividade de tempo livre que nos pode sair muito cara, analisada no aspecto humanístico.
Senão vejamos: durante um bom pedaço da nossa vida, às vezes décadas, damo-lo a uma comunidade desconhecida, na ilusão e na virtualidade de quem está a contribuir para qualquer coisa de importância, na vida das pessoas. Isto se acreditamos estar a fomentar uma amizade, que é multiplicada pelo "cheque em branco" de pessoas que não conhecemos, nem tão pouco pedimos para conhecer. Com elas, ao longo de muito anos vamos falando, trocando impressões, partilhando informações, confidências e, por vezes até, dando oportunidades a algumas dessas criaturas, e até instituições, de terem acesso a outros caminhos que, por
moto próprio, ser-lhes-ia muito difícil alcançar.Na hora da verdade, da solidariedade o mau feitio do cidadão "hobbista", revela-se pela negativa; e na singularidade da sua existência, comodamente, aquele género de pessoa, qual sensaborão oportunista, sem nenhum esforço ou trabalho, o vulgo videirinho, agarra-se ao sucesso (como se o sucesso valesse de alguma coisa, sem conhecimento, ou seja sinónimo de qualquer estatuto social) e desconhece quem os ajudou desinteressadamente. De quem estamos a falar? Não é difícil de entender; quem se sentir incomodado, tem a resposta. Voilá!
Nesta e noutras perspectivas de análise, o radioamadorismo tem os dias contados. Prevê-se que, no Continente português, não deva durar uma década. Vai acabar vencido pela ineficácia das relações entre a "classe". Verbalismo a mais e democracia a menos, onde arrogância das palavras ditas contrapõe as regras elementares da ética das comunicações. Sem ética e muito menos, sem deontologia, é o fim do Radioamadorismo.
Resta contemporizar, até ao "apagar da luz", com as comunicações dos telemoveiros, porventura os futuros pioneiros do inevitável teleamadorismo dos anos 02.
Xispas

Janeiro de 2002

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